Sexta-feira, Abril 27, 2012

Que pra eu não esquecer.

"Nunca pensei um dia chegar
E te ouvir dizer: Não é por mal
Mas vou te fazer chorar
Hoje vou te fazer chorar..." (Canção pra você viver mais - Pato Fu)



 "O abraço que te dei foi pra você não perdoar, foi pra você não esquecer o que ele fez contigo (...). Não é porque você tinha oito anos. Podia ter dez, vinte, cinquenta, não importa! O que importa é que não existe perdão pra quem acaba com a vida da gente." (O abraço - Lygia Bojunga)

“Cada vez que abraçava você o mundo parava de rodar por um segundo. E eu achava que aquilo era amor, achava que aquilo era o certo, achava que a gente era certo um na vida do outro. Mas não foi. Não fui. Não fomos. Não somos.” (Clarissa Corrêa)

"Sou eu agora quem fala do tempo que a tua covardia não permitiu falar: Que ele passe. Que venha a tal paz. Que a claridade ilumine, mas não cegue os meus olhos. E que eu te odeie um pouco menos, mas que não te ame nunca mais." Por ela mesma.

Quarta-feira, Abril 18, 2012

Vermelho.


Os olhos marejam, o corpo ferve, as pernas tremem. É um misto confuso de sensações. Levo a taça de vinho à boca como quem busca tomar o teu sangue. Como quem busca sugar-lhe as entranhas, como quem busca tomar-lhe os segredos todos. Sou fera que se debate numa gaiola pequena. O cadeado está aberto, mas não posso vê-lo tamanha é a minha loucura. Tua imagem não me sai da mente. Respiro a volúpia das lembranças desavergonhadas, dos lances rápidos, dos telefones esquecidos no canto da cama. Minhas unhas arrancam a minha pele como um dia arrancaram a tua. Desespero. Vermelho-vinho. Vermelho-sangue. Vermelho-amor. Vermelho que é a cor das pétalas de rosa no teu filme preferido. No meu filme preferido. Vermelho do meu eu-tão você. Imenso, intenso. Vermelho das minhas roupas. Rasgo-as. E inteira vermelha, inteira vazia, inteira confusa, inteira cansada, tomo o último gole da última taça. Enxergo a minha dignidade lá no fundo. Não há mais nada. Meu olhar mergulha e entende que é o fim. Oh, criança, só o fim. Vamos lá. Há uma ponte. Há madeira gasta, precipício. Há uma montanha. Há um Monte Everest. Há um rio (você se lembra?). Há pedras enormes. E se caio ou corto os pés? Qual a possibilidade de a minha queda tocar-lhe tanto quanto aquela música triste? Não há possibilidade. Quando você quase quis falar de quem se importa e quase disse também se importar, foi só um quase. Assim como por vezes quase fomos algo, quase permanecemos. Ao lembrar, aperto a taça. Vermelho novamente. Vinho tinto e sangue se misturam. É como o teu sangue entrando no meu corpo. É como o meu sangue sujando aqueles lençóis que não eram nossos, naquela vida que não era minha. É a minha espera inútil, o meu coração apertado ao ouvir o teu nome. É a certeza de que o trem não virá, mas passar o resto da vida sentada no banquinho da estação.

Domingo, Abril 15, 2012

So-li-tu-de.

Há coisas que devem morrer junto com a noite, devem ser expelidas junto com tudo o que se põe pra fora. Há sentimentos que não merecem acordar. Mas acordam. Como fantasmas enormes, carregando correntes de barulho perturbador, andando por todos os corredores do meu coração. Um nome inteiro pula aos meus olhos e destrói os meus muros. Dois nomes agora. O meu nome só. As minhas declarações de nova vida quase convincentes. Minha fé silenciosa de que tudo vai mudar. Meu silêncio sobre todas as coisas. As que vejo, as que sinto, as que ouço. Meu sorriso frouxo, meus porres homéricos e diários. Minhas fugidas da realidade nas baforadas soltas ao ar. O saco plástico voando no meio da rua e um punhado de lembranças tolas. As notas de 'Daniel na cova dos leões', o violão, um vinho do porto. Tudo se misturando na minha cabeça e girando girando girando. Caio no chão e engulo o choro. "Você não pode chorar", a mão estendida ao meu lado me diz. Mão da inimiga mais amiga que já tive. E que me resta ao lado de todos os restos de vida espalhados aos quatro ângulos que posso ver. Não choro. Levanto. Alguém cantarola 'l'avventura' ao meu ouvido. 'Não é desejo, nem é saudade, sinceramente, nem é verdade. Eu sei porque você fugiu, mas não consigo entender'. Eu cantarolo também, sem controlar os meus lábios, sem controlar as minhas unhas rasgando o meu corpo, sem controlar os meus olhos apertados, sem controlar a loucura de lembrar ainda, depois de tanto tempo, que um dia alguém me disse que parte mais legal em mim era saber cantar todas as músicas da Legião. A música acaba. O silêncio é ainda mais perturbador. Meus olhos se abrem e procuram algo. Não há nada. Não há ninguém. Apago o meu cigarro. Olho para o nada novamente, procuro tudo. Ando. Acho algo. Meu cheiro de fumo e álcool não incomoda porque também há fumo e álcool por lá. Sou então tão igual quanto quis ser. Mas não sou eu. Essa é mais uma certeza escondida no meu silêncio. Ninguém precisa saber que finjo. Ninguém precisa saber de nada além do que quero que saibam. Saber se eu sou isso, aquilo, ou aquilo outro. É exatamente como te vi concordar por aí: Eu continuo sendo problema meu.

Domingo, Abril 01, 2012

Sorry.

Silêncio. Caixa de mensagens vazia. Não haviam suas palavras raivosas mais, e eu senti medo. Medo imenso de perder você. Os quilômetros que nos distanciam me impedem de ir ao seu encontro, de tentar mesmo que inutilmente te dizer que eu não fiz nada por mal. E te pedir desculpas por fazer pouco caso do teu ciúme, por não me colocar no seu lugar. Desculpas, meu amor, por talvez ainda não ter me acostumado a ideia de ter um namorado. De ter alguém com quem tenho compromisso e algumas obrigações. Quando te vejo pirar do outro lado da linha, sinto o meu corpo inteiro se desfazer em pedacinhos. Eu sou mesmo uma boba. Mas uma boba que te quer por perto. Que já não saberia acordar sem as tuas mensagens de bom dia, dormir sem ir te dizer boa noite. Uma boba que tem por vício fazer cafuné na sua cabeça enquanto você dirige, e que vibra quando você deixa uma mão no volante e outra sobre a minha coxa. Uma boba que adora o seu abraço, o seu beijo, o seu jeito bonitinho de dizer "meu amor". A sua barba por fazer tocando o meu rosto. Uma boba que te adora inteiro. E que não conseguiria nem pensar em te perder, de tão assustadora que é essa ideia. Uma boba que passou por cima do orgulho, da timidez, do senso pra vir aqui te dizer: Me desculpe, meu bem. Fica aqui. Eu sou sua, só sua. O seu amor me é suficiente pra que eu não precise olhar para os lados ou sentir dúvidas do que quero. E o que eu quero é você. Nós. Pelo tempo que eu te fizer sorrir. E eu espero que esse tempo se demore a acabar.

Sexta-feira, Março 30, 2012

Alerta.

Escorreu uma lágrima dolorida pelo meu rosto, como um grito do meu coração dizendo "eu estou aqui". Ler sobre amizade me deixava sensível e eu sabia que não era só uma tpm. Amizade - Se existe algo que doa mais quando se perde, certamente se aproxima de uma dor imensa. E eu chorava, desidratava, inundava inteiro o meu travesseiro. Era a agonia por algo que nunca passa, mas quase passa todos os dias.

Segunda-feira, Março 26, 2012

Domingo, Março 18, 2012

Pequeno,

A sua voz me diz que sentiu a minha falta. Eu vejo os teus olhos marejados, a tua boca falando sobre choro e amor desmedido. Gosto de estar aqui. De permanecer. Nós temos aquele encaixe bom de casalzinho. Nós nos amamos ao som de The Doors e falamos sobre acontecimentos históricos. Nós tomamos algumas cervejas e rimos juntos. Eu havia me esquecido do gosto doce de romance que a vida pode ter, das cores bonitas que vemos quando nos apaixonamos. Eu já nem falava sobre paixão. De amarga que estava, fui ficando aos poucos docinha como estou. Declaro: A partir de agora permaneço aqui, até amargar. E esperando que essa amargura demore mais alguns bocadinhos de dias.